quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Rubens Paiva e a violência da ditadura

PERDÃO NÃO SE DECRETA
Mair Pena Neto

Rio - O jornalista Claudio Bojunga, companheiro dos tempos de Jornal do Brasil e autor de excelente livro sobre JK, fez uma série de reportagens sobre a Venezuela, in loco, que vem sendo exibida pela TV Brasil, tratando do conflito midiático que se estabeleceu no país vizinho entre os meios de comunicação tradicionais e o governo de Hugo Chávez.

Mais uma boa iniciativa da TV Brasil, cuja programação é ignorada pelos grandes meios de comunicação e seus sites, que não perdem um capítulo dos deprimentes reality shows, mas são incapazes de divulgar e abordar decentemente produções de qualidade, como a minissérie "A Era das Utopias", de Silvio Tendler, diretor, entre outros documentários, de "Os Anos JK" e "Jango". A minissérie foi exibida em agosto/setembro pela TV Brasil.

Pois em um dos depoimentos captados por Bojunga, uma socióloga venezuelana, ao abordar a dificuldade de convivência entre Chávez e os meios, diz que o perdão não se decreta. Ela se referia à participação direta da grande imprensa da Venezuela na tentativa de golpe contra Hugo Chávez, em 2002, que só foi abortada, apesar do aval norte-americano, pelo apoio popular ao presidente eleito.

Essa frase me veio à cabeça ao ler a revelação de um ex-agente do DOI-Codi de que o ex-deputado Rubens Paiva, depois de preso, torturado e morto, foi esquartejado para que seu corpo não fosse encontrado. Mais grave, Rubens Paiva não foi o único, e pelo que o ex-agente Marival Chaves contou ao cineasta Jorge Oliveira, autor de filme sobre a tortura e morte do operário Manoel Fiel Filho, havia até uma competição entre os torturadores sobre quantos pedaços iam render os corpos das vítimas dos porões da ditadura militar.

A anistia ampla, geral e irrestrita, proclamada em 1979, foi exatamente um decreto que buscou estabelecer o perdão. Mas como observou a socióloga venezuelana, perdão não se decreta, sobretudo quando envolve atos desumanos como a prática sistemática da tortura. A anistia pode absolver militares e policiais que cumpriam o seu dever legal, mas não crimes contra os direitos humanos, como a tortura e o esquartejamento de corpos.

O engenheiro Rubens Paiva era um deputado federal cassado, que tentou se manter no país após um tempo de exílio até ser sequestrado em sua casa, levado para instalações da aeronáutica e depois para o Doi-Codi, onde foi torturado, morto e, sabe-se agora, esquartejado. Em um de seus livros, o filho do deputado, o jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva, ao tratar da ausência do pai, lembra de pegar jacaré em suas costas na praia de Copacabana.

Rubens Paiva não pegou em armas para enfrentar a ditadura, Mesmo que o fizesse, nada justificaria a tortura. Sua prisão teria acontecido pela ajuda dada a Helena Bocayuva, envolvida no seqüestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, que se encontrava no Chile. A prisão de pessoas que traziam carta de Helena para Rubens levou os órgãos de repressão a identificá-lo como contato indireto de Lamarca.

Rubens Paiva é até hoje um dos 140 desaparecidos políticos durante a ditadura que a história não pode esquecer. Sua foto está junto com a de outros brasileiros em uma campanha do governo por informações e documentos que traz a pergunta: "Como você se sentiria se não tivesse o direito de enterrar um filho?"

Para uma resposta sincera, o Brasil precisa levar a julgamento os responsáveis pelos atos de barbárie cometidos durante a ditadura. Chile, Argentina e Uruguai já fizeram isso sem abalos institucionais. Perdão não se estabelece por decreto.

Publicada em:18/11/2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

E pensar que é uma cidade tão pobre!

Um absurdo de dinheiro! Por isso a prefeitura é tão disputada. E a cidade e seus moradores estão na m....! Não há empregos, não há qualidade de vida, não há oportunidades e ainda temos um comércio ferrado.
Assim não dá, mas os campistas são dignos representantes do povo brasileiro: passivos e idiotas!
 
Queda no repasse de royalties para Campos
O município de Campos recebeu hoje mais um repasse dos royalties do petróleo referente à produção de setembro. Foram depositados R$ 39.802.309,01 na conta da prefeitura pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com base nos cálculos efetuados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em relação ao mês passado, houve uma queda de aproximadamente 15%, já que em outubro o município embolsou R$ 47.833.272,65. As perdas acumuladas no ano em repasses dos royalties à prefeitura, em relação ao mesmo período do ano passado, chegam a R$ 135,683 milhões. Em 2008, no último ano do Governo Alexandre Mocaiber, Campos recebeu, até novembro, R$ 515,098 milhões, e, este ano, R$ 379,415 milhões.
 
 
 "A vida grita. E a luta continua" Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Universidade brasileira em debate

João Vicente Alvarenga

A revista Cult (número 138) reuniu três professores da PUC-SP – Edgar de Assis Carvalho, Lucrecia D'Alessio Ferrara e Eugênio Trivinho – uma das mais respeitadas instituições privadas de ensino superior no Brasil para discutir a universidade brasileira em três perguntas: quais são os focos da crise universitária no Brasil?; a produção de conhecimento nas instituições privadas é de qualidade?; a universidade pública no Brasil ainda concentra a excelência do ensino no país?

À primeira pergunta, foram dadas as seguintes respostas:

Edgar Carvalho – os focos têm a ver com a fragmentação da hegemonia instalada no dispositivo universitário que hoje domina todos os ramos do saber. Enquanto a universidade não se empenhar na religação da cultura científica e da cultura das humanidades a dita crise não se resolverá.

Darcy Ribeiro costumava a firmar que a função da universidade é dominar o conhecimento do seu tempo para poder transmiti-lo às futuras gerações. Por isso, Michel Serres fez um apelo às universidades para que reformassem seu ensino em prol de um saber comum que, depois, se subdividiriam em três grandes plataformas. Não se trataria de uma renegação das especialidades tecnocientíficas, mas de sua inserção em contextos mais amplos. É assim que se formam os verdadeiros intelectuais.

Lucrecia Ferrara – parece impossível precisar esses focos porque, na realidade, não é a universidade que está em crise, mas o ensino básico e fundamental. Nesses níveis, tanto no ensino público como no privado, carecemos, de uma rigorosa formação docente que possa construir pilares sólidos de fundamentação instrucional e educação da criança e do adolescente. Na realidade, a dificuldade de rendimento do aluno universitário decorre de uma formação anterior que está muito longe de atender às minhas condições de construção daqueles pilares. A universidade não está em crise, mas, ao contrário, a educação nacional padece de uma patologia crônica que não se reconhece ou que se insiste em relegar para decisões de organismos públicos, eximindo-se a universidade de sua parcela de responsabilidade nessa ação.

Eugênio Trivinho – o foco comum desse estado de coisas é um imaginário político e de Estado incompatível com um planejamento estrutural consistente e um forte investimento de longo prazo em educação, ciência e tecnologia, em articulação necessária com políticas sociais permanente de redistribuição de renda mediante geração progressiva de emprego. Já sobre a segunda questão, temos as seguintes respostas:

Edgar – as instituições privadas não podem ser colocadas todas elas no mesmo plano. Temos as comunitárias como as PUCs, que se destacam no cenário da ciência feita no país, temos os centros universitários que se dedicam apenas ao ensino e assim por diante. Temos também aquelas faculdades isoladas que formam para o imediato. Por isso a avaliação da produção é assunto delicado. Há produção de excelente qualidade por toda parte. É sempre não generalizar de modo abusivo.

Lucrecia Ferrara – a análise da experiência de ensino e pesquisa em instituições nos âmbitos privado e público nos revela que, nos dois organismos, a produção docente e discente tem alcançado níveis quantitativos e qualitativos de grande relevância. As dificuldades de produção atingem, de modo indistinto, as duas instituições, e precisamos analisar a questão com objetividade e sem preconceitos.

Eugênio Trivinho – é preciso distinguir instituições de ensino superior privadas stricto sensu e universidades comunitárias. As primeiras condicionam a oferta de cursos a margens imediatas de lucro ampliado. As segundas conjugam necessidades de sustentação orçamentária com políticas socialmente responsáveis e compensatórias embasadas em ofertas de extenso volume de bolsas de estudo. No entanto, inúmeros pesquisadores dessas instituições privadas têm empreendido esforços exitosos, com resultados científicos reconhecidos nacional e internacionalmente.

 

Professor Mestre em Filosofia

http://www.odiarionews.net/wordpress/?page_id=237