domingo, 2 de setembro de 2012

Fogo

O fogo purifica, destrói, assusta. O fogo mata! Ao fogo sempre foram lançados os que eram julgados impuros pela Inquisição. Quem pode julgar? Quem pode não estar no fogo um dia?
O fogo mata!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Podridão do período sujo da ditadura chega até Campos

 
14 de maio de 2012 · 15:55
 
MPF de Campos vai investigar incineração de corpos em usina
Leonardo Berenger
 
Segundo relato de torturador, 10 corpos foram incinerados na Usina Cambaíba durante a Ditadura
 
O Ministério Público Federal (MPF) de Campos instaurou nesta segunda-feira (14/05) um procedimento investigatório criminal para apurar a incineração de pelo menos 10 corpos na Usina Cambaíba durante a Ditadura Militar, conforme relato do ex-delegado da Policia Civil Cláudio Antonio Guerra, no livro "Memórias de uma guerra suja". Na portaria que instaura o procedimento, o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira pede que sejam expedidos ofícios à Comissão Nacional da Verdade e à Comissão Especial de Mortos Desaparecidos, requisitando informações e documentos relacionados ao caso.
 
Para o MPF, os agentes públicos que se excederam e cometeram crimes durante a ditadura agiram como representantes de todo Estado, e não apenas de seu segmento militar. Por isso, eventuais crimes cometidos submetem-se à jurisdição federal, havendo atribuição do MPF.
 
"Em um regime de exceção, pouco se pode conhecer dos procedimentos adotados para manutenção do poder. Somente com a abertura ao diálogo e à manifestação pública, podemos reaver o contato com o que nos foi negado, e buscar a verdade sobre fatos quase perdidos em um tempo de restrição às liberdades", disse o procurador Eduardo Santos, que integra o Grupo de Trabalho (GT) "Justiça de Transição". O GT, formado por procuradores da República, tem como objetivo promover a investigação e persecução penal das graves violações de direitos humanos cometidas durante a Ditadura Militar no Brasil.
 
A investigação do MPF está alinhada também à sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o Brasil por violações de direitos previstos na Convenção Americana de Direitos Humanos nos vários episódios sucedidos no contexto da "Guerrilha do Araguaia".
 
A sentença estabeleceu a obrigação do país de investigar quem são os autores materiais e intelectuais do desaparecimento forçado das vítimas, em razão do caráter permanente desses crimes, não aplicando a Lei de Anistia em benefício dos agentes de crime, nem prescrição ou qualquer outra excludente de ilicitude para eximir-se de investigar.
 
AUTOR DO LIVRO AFIRMA QUE A DISCUSSÃO ESTÁ APENAS NO INÍCIO
 
O jornalista Rogério Medeiros, um dos autores do livro 'Memórias de uma Guerra Suja', que traz relatos sobres às atrocidades praticadas nos anos 70 e 80 contra militantes de esquerda durante o regime militar, concedeu uma entrevista por telefone no dia 04/05 ao jornalista Carlos Alfredo no programa Band Notícias. Para Medeiros, este é o momento para se abrir uma discussão sobre o tema, pois, segundo ele, "ainda existe muitas coisas escondidas e crimes que ninguém sabe".
 
"Eu acho que o Cláudio Guerra tem que pagar pelos crimes que cometeu. No livro, ele fala na primeira pessoa... Como ele matou, como fez, enfim, foi ele que apontou a Usina Cambahyba como o local de cremação de corpos de militantes políticos e destacou a estreita relação destes militares com esta usina. Havia muitos conflitos naquela região e houve uma contrapartida que não entrou no livro, que inclusive, a filha do dono da Usina talvez não tenha conhecimento. Pessoas da família dela foram assassinadas e muita gente que o Cláudio Guerra assassinou em favor da família dela", afirmou.
 
Sobre a reação do ex-delegado ao retornar a Usina Cambahyba, Medeiros foi enfático ao descrever a frieza do torturador. "Estamos falando de um homem que assassinou pessoas durante 40 anos, não estamos lidando com um santo, ele foi um profissional da morte e o livro o trata assim. Quando resolvemos fazer o livro com ele, nós já tínhamos este conceito. Ele nos disse que era mais fácil queimar os corpos do que desaparecer com eles", conta, destacando que seu objetivo foi dar início a um debate muito mais amplo sobre a questão.
 
"Nosso objetivo foi abrir a discussão e novos fatos serão revelados a partir de agora", explica.
 
 
 

quarta-feira, 21 de março de 2012

 

 

 

 

                 A TRAJETÓRIA DE UM JORNAL CENTENÁRIO

 

 

 

 

Nome: Paula Vigneron Azevedo

Professor: Vitor Menezes

Introdução ao Jornalismo I – 1º período de Jornalismo

                       

 

Os principais fatos históricos da cidade de Campos dos Goytacazes foram retratados no jornal Monitor Campista, que circulou na cidade durante 175 anos. Da primeira visita do imperador D. Pedro II, 1847, passando pela descoberta da bacia petrolífera, em 1974, até a morte de grandes figuras do cenário político de Campos, como o Dr Wilson Paes, no ano de 2009, a nossa planície se manteve bem informada graças à cobertura desse jornal centenário. Além das informações sobre o cenário político, econômico e cultural da cidade, o Monitor se dedicava a cobrir grandes notícias sobre o Brasil e o mundo, tais como: Primeira Guerra, queda da Bolsa de Nova York, fim da Segunda Guerra, e também sobre a faixa de Gaza, em janeiro de 2009.

            Fundado no ano de 1834, pelo médico José Gomes Fonseca da Parahyba, em sociedade com o também médico Francisco José Alypio, o jornal passou por diversas modificações em seu nome, sendo também chamado de O Campista e o Monitor, e finalmente se tornou o Monitor Campista. Quando este surgiu, a cidade de Campos era ainda chamada de Vila São Salvador, e só passou a ser considerada cidade no dia 28 de março de 1835.

            Foi o primeiro jornal beneficiado pela luz elétrica e pela utilização do prelo da impressora movida à eletricidade, visto que a cidade foi pioneira na utilização desse recurso. Alceir Maia Mendonça afirma, em seu livro "História da Eletricidade em Campos", que:

"Segundo o jornal 'Monitor Campista', em edição especial de 24 de junho de 1883, a história da iluminação da cidade de Campos, por meio da luz elétrica, começou em 16 de julho de 1w881, quando presidia a Câmara Municipal o dinâmico e progressista Dr. Francisco Portella, ocasião em que propôs e foi unanimemente aprovada, a substituição do sistema misto (gás e querosone), pela iluminação elétrica."

            Inicialmente, o jornal circulava apenas duas vezes por semana (quarta e sábado), e só em 1875 começou a circulação diária do Monitor Campista, que ocorreu até o dia 15 de novembro de 2009. No ano de 1936, o Monitor Campista era incorporado ao grupo Diários Associados, fundando por Assis Chateaubriand em 1924.

            Com a compra de "O Jornal" e "O Diário da Noite", Chateaubriand deu os primeiros passos para a formação dos Diários Associados, que, mais tarde, viria a ser formado também pelos seguintes jornais: "Diário de Pernambuco" (1825), "Jornal do Commercio" (1827) e "Monitor Campista" (1834), sendo que os dois primeiros ainda continuam em circulação e carregam os títulos de jornais mais antigos do Brasil.

            O Monitor Campista trouxe avanço para a imprensa da cidade, reformulando as técnicas utilizadas naquele período. Passou-se a usar o título e aboliu-se o uso do negrito na criação de notícias, resultando em grandes inovações para o cenário da época, no qual os jornalistas eram letrados e os jornais carregavam características da literatura.

            O encerramento das atividades do jornal significou uma grande perda histórica e cultural para a cidade de Campos. A história do Monitor se confundia com a história local, visto que este veículo de comunicação cobriu grande parte dos principais acontecimentos do município. A tentativa de manter o jornal através da arrecadação de fundos para comprar a marca "Monitor Campista" (cujo valor era R$ 250.000,00) foi em vão. O Movimento Viva Monitor e seus simpatizantes não obtiveram êxito em seu intento, e a última edição do jornal foi publicada no dia 15 de novembro de 2009.

 

Referências Bibliográficas:

MENDONÇA, Alceir Maia, História da Eletricidade em Campos, Gráfica Editora Lar

Cristão, Campos, 1993. Cap. 1, p. 21

SOARES, Orávio de Campos, Muata Calombo - Consciência e Destruição, dissertação

de mestrado, UFRJ, Rio de Janeiro, 2002.

Portal in 360 - http://in360.globo.com/rj/noticias.php?id=6273

Observatório da imprensa -http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/o_fim_do_jornal_centenario

Portal Luis Nassif - http://blogln.ning.com/profiles/blogs/salvem-o-monitor-campista

Diários Associados - http://www.diariosassociados.com.br/home/conteudo.php?co_pagina=20&PHPSESSID=a3709eaacd7efec542032078e87ccb43

http://www.diariosassociados.com.br/home/conteudo.php?co_pagina=45&co_menu=2&PHPSESSID=e82367b1fd3e527a8408b05abea395c2